Era um garoto tímido, inteligente, gostava de ler, de andar de skate, de ver filmes, era bem na dele, sucegado, não era de muitos amigos, não era de festas, gostava de sucego, coisas simples.
Ele viu aquela garota crescer, a conhecia desde o jardim de infância, mas olhando pra ela tinha o mesmo conceito que a maioria das pessoas, achava que ela era do tipo de garota fútil, boba, burra, vaidosa, o tipo de garota que ele nunca iria querer conhecer.
Era fevereiro, início do ano escolar, primeiro dia de aula, ele chega cedo, se senta. Logo todos os alunos já estão na sala e em seguida o professor, a aula já estava começando quando a garota chega atrasada na sala, e por coincidência é obrigada a se sentar atrás dele, a única carteira vaga da sala. Ele não tinha gostado nem um pouco de tê-la sentada atrás dele. Mas ela o surpreendeu, durante as primeiras aulas ela estava quieta, nas provas, apenas notas altas. Em um trabalho de dupla ela o convidou pra fazer com ela, já que nem e ele não tinha contato com mais ninguém da classe. Ele acabou aceitando . Se encontraram na casa dele pra fazerem o trabalho, e papo vem e papo vai acabaram vendo que tinham muita coisa em comum. E depois disso conversavam todos os dias, passavam os recreios juntos, começaram a sair juntos, ela até chegava a desabafar com ele, um confiava no outro como ninguém. Não se desgrudavam mais, passavam o dia inteiro se falando, ela o tinha como seu melhor amigo. Já ele não. Ele olhava para aquela garota de cabelos claros, olhos regalados, aquela boca rosada, aquele jeito bobinho dela sorrir, ele via bem mais que um rostinho bonito, bem mais do que tudo que um dia ele chegou a pensar. Ela era perfeita até nos defeitos dela, talvez eram os defeitos que a fazia tão perfeita. Ele estava completamente apaixonado por ela.
Ele sabia de todos os amores dela, de todas decepções, de todos os momentos que ele já quis esquecer, sabia o bastante para querer evitar que ela soubesse do seu amor por ela.
Mas não se conformava em olhar para aquele rostinho dela, aquele sorriso e querer ser o motivo dele. Pensava em que como seria se ela soubesse. Ela ia gostar? Iria corresponder? Eles se davam tão bem, será que iriam dar certo? Eram essas as dúvidas que o atormentava.
Numa noite, antes de dormir, ficou martelando aquilo na sua cabeça, pensava tanto em contar pra ela que decidiu- se então contar do seu amor por ela no dia seguinte, pôr um fim então nesse transtorno que ele vivia. No dia seguinte, de manhãzinha chegou na sala de aula todo nervoso pensando em como contar pra ela e a encontra sentada em sua carteira com uma carinha de triste, perguntou o que era e ela disse que havia acontecido algo terrível e depois o contava o que era. Então depois que a aula acabou, ele a acompanhou até sua casa e então:
_ O que houve que você está tão tristinha?
_ Uma coisa horrivel!
_Ué , o que? Me diga!
_Vou me mudar mês que vem pra uma cidade grande meio longe daqui! Papai conseguiu um emprego muito bom lá! Não quero ir embora daqui!
Depois daquilo um turbilhão de coisas passou na cabeça dele, ele a abraçou e ela começou a chorar. Ele a abraçou tão forte, e decidiu-se então que era melhor não contar nada á ela, que seria melhor então ela não saber do sentimento dele. Já iria ser uma tortura vê-la indo embora ,seria pior se por acaso o sentimento dele não fosse correspondido e estragar aquela bela amizade.
Talvez seria mesmo o melhor a fazer. Talvez não era pra ser e que nem sempre as coisas são como a gente quer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário